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Merecido regresso, o do ZP a Moçambique, 37 anos depois. Mufana porreiro, tem estado a partilhar com os amigos os lugares que volta a palmilhar, como é o caso desta fotografia que me entrega a memória dos dias em que, saída do liceu, descia as barreiras rumo aos campos de mini-basket (Torneios Coca-cola) ou ao meu Desportivo. Kanimambo, ZP, e a continuação de uma grande viagem!!
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E por vezes é preciso voarmos para longe para aprender, com a diferença, que uma vida dura todas as vidas que formos capazes de reiniciar. É o que nos entrega, de mais interessante, este filme de John Madden. “O Exótico Hotel Marigold” tem como cenário a(s) Índia(s) de hoje, a dos call center sem passaporte nem tradição e a das gerações que sem eles cresceram. A esta última pertencem, também, sete ingleses que ali aterram atraídos pela ilusão de poderem gozar a reforma num palácio que, como descobrem à chegada, terá sido gold apenas nos tempos idos dos vice-reis.
Um naipe de grandes actores ingleses, como Maggie Smith ou Judy Dench, e a vivacidade do olhar de Dev Patel. Duas gerações e dois continentes, a metáfora está lá, por isso o filme não é apenas uma comédia.
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"Si je n'avais pas rencontré Abdel, je serais mort" - Carlo Pozzo di Borgo.
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História de Vida, porque de vidas. As de ‘Philippe’ (François Cluzet), um milionário tetraplégico parisiense que, provavelmente, farto de ser tratado como um encerrado coitadinho, resolve contratar para seu auxiliar (em tudo o que é movimento do pescoço aos dedos do pé) ‘Driss’ (Omar Sy, que venceu o ‘Cesar’/2012 pela sua interpretação neste filme), um jovem senegalês portador, não dos diplomas que acumula(va)m os outros candidatos ao lugar, mas de vários dos indicadores com que em França (e em grande parte do Hemisfério Norte) se olha preconceituosamente para um negro.
Duas vidas, e duas formas de ser culto diferentes, que se trocam. Aqui, a riqueza de “Amigos Improváveis” de Olivier Nakache e Eric Toledano. Melhor, ainda, saber que tem fonte numa história real onde a personagem interpretada por Sy foi vivida pelo argelino Abdel Sellou e a de Cluzet pelo francês Pozzo di Borgo, que incluiu o encontro na autobiografia donde partiu o argumento do filme.
Fiquei contente de saber que o filme foi top nas bilheteiras do país onde o tratamento dado à «escumalha» faz parte das armas para a reeleição do actual senhor do Eliseu. Oxalá, a perca.
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É um poema em forma de cinema, este “Le Havre” de Aki Kaurismäki, a começar pelo cenário escolhido, um bairro antigo (e/ou reinventado) na cidade-porto imensa e cosmopolita que o realizador não esconde ao espectador. Mas é no bairro antigo (onde ainda soa o acordeon) que a solidariedade acontece (até quase ao exagero, digo eu a quem a benevolência do inspector trajado de negro não convenceu) com as vítimas do holocausto dos nossos dias, o das barcaças a abarrotar de africanos que todos os dias chegam, quando não naufragam, aos portos europeus. A solidariedade, que bom seria se fosse assim nos bairros da França (e da Europa) de hoje!...
Se gostam de filmes bonitos, não percam este.
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Cinema ainda, na semana dos oscares, é “O Artista” de Michel Hazanavicius. Confesso que até ver a apresentação do filme, antes da sessão em que assisti ao que merecidamente premiou Meryl Streep, temi não aguentar hora e meia de cinema mudo. Aconteceu-me fazê-lo, também, esta semana e a obra vale pelo 'risco' e, sobretudo, pela originalidade. Não me arrependi, o filme tem ritmo suficiente para nos agarrar ao ecrã e actores à altura, com destaque, naturalmente, para o galã interpretado por Jean Dujardin, o primeiro francês a ganhar o Oscar. E que fotografia!
Antes de sair do post e da noite de Hollywood, a minha alegria pelas estatuetas de Octavia Spencer, em “As Serviçais”, e Woody Allen, que argumento o de “Meia-noite em Paris”!!
Esta semana comprei o primeiro livro do ano, “Perder teorias”, de Enrique Vila-Matas (ed. teodolito), o que, tendo em conta de que se trata (também) do autor de “Paris nunca se acaba”, só pode significar ganhá-las, estou certa.
Estreia no meu 2012 cinematográfico, “A Dama de Ferro” de Phyllida Lloyd, em que para além do desempenho de Meryl Streep (dêem-lhe o Oscar), apreciei, também que o argumento seja tudo menos ‘piegas’ ao retratar a biografia de Thatcher, a ‘dama’ que governou sem um pingo de humanismo e solidariedade.
Bom, foi ainda a ida (há muito adiada) ao OndaJazz, mesmo ali no sopé de Alfama. Como o ‘gps’ pedonal do Eduardo G. (que me servia de guia) se enganou, a chegada ao nº 7 do Arco de Jesus foi precedida de um belo passeio nocturno do Cais do Sodré ao Museu do Fado – mas, quem tem boca chega ao jazz e entrámos no restaurante como se tivéssemos combinado com o Rui MF chegar em trio. Não só recomendo o lugar para jantar como me gabo de, a seguir e passados à sala de concertos, ter ouvido a banda do pianista Victor Zamora.
Ah, já me esquecia, na sexta, o regresso ao irish, desta vez com os 'miúdos do liceu', deu direito a observar uma inédita cena de pancadaria, daquelas que fazem cair mesas e em que os rapazes se batem à cadeirada como nos filmes...
O meu avô paterno, lembro-me, escrevia ‘quiz’. Quis, aliás, ditou a a lei que, a partir deste novo ano, tudo o que me acontecer escrever no emprego tenha que obedecer ao novo acordo ortográfico (AO) e, por isso, foi-me proporcionado em Novembro a possibilidade de frequentar uma acção de formação sobre o tema. Como, até lá, não me tinha preocupado minimamente com o assunto, e sabendo do que este ano me esperava, inscrevi-me – um ‘quê’ curiosa, outro porque decerto na tal acção me dariam um manual, útil, também, a uma Amiga que ensina Português no estrangeiro (felizmente, para ela, lecciona numa escola não dependente das finanças da pátria).
Sabida, a senhora que ministrou a acção abriu a dita mostrando aos formandos um parágrafo escrito em Português do tempo dos Descobrimentos, para que ninguém deixasse de pensar que a língua evolui, o que também acho, ainda que roa mal o motivo primeiro que gerou o actual AO. Outra qualidade da formadora era a pedagogia e acabou por transformar o resto da manhã num jogo, em que, após desfiado cada 'capítulo' das novas regras, os formandos foram desafiados a adivinhar o destino na nova escrita para os exemplos por ela lançados. Deixem-me gabar, ir a jogo sabe melhor a vencer, que acertei na maior parte deles, inclusivamente no que me fez mudar, horrorizada, de posição na cadeira: não, não foi por causa do neorrealismo italiano que, jovem cine-clubista em LM/Maputo, sempre quis conhecer a Itália – caramba, não podiam ter deixado, um movimento com a importância que este teve, em paz?... Não, deu-se cabo do hífen, não para poupar na tonner mas, para dobrar a consoante que lhe seguia. E a sessão continuou (e acabou) e eu, até esta semana, nunca mais me tinha preocupado com o assunto.
Nos últimos tempos, tenho, sobretudo, abrido ‘spss’ e ‘excel’, pelo que até me aliviou que o parecer que me pediram para fazer no início desta semana resultasse, quase à primeira, num texto de cinco ou seis páginas razoavelmente bem estruturado. O pior foi quando, a lei é para cumprir, no dia seguinte pedi ao programa-conversor que o pusesse em condições de ser enviado à instância superior… ughh!, oh, para mim, a minimizar o Português que tanto prezo!... – pois é, a língua evolui, o meu avô escrevia ‘quiz’, mas que até as próprias palavras parecem outras, o que me obriga a relê-las para ver se não me enganei, como me tem acontecido nas biografias do ‘Expresso’ que continuo a consumir, isso…
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Nota: Este texto está escrito no ‘velho’ Português, não tenho o ‘conversor’ incorporado no computador (programa que, tanto quanto sei, exige a versão 10 do 'word'). E 'algo' me diz que, fora do emprego, vou continuar a escrever 'Maio' como merece ser destacado o mês que me deu Vida.
Desde o último post, partiram Cesária Évora e Vaclav Havel, dois símbolos, respectivamente, da Música e da Democracia. Ainda me lembro de ter ido para o ‘British Bar’ fazer horas para o poder saudar na Praça do Município, a primeira vez que cá esteve presidente eleito – na mesa ao lado, José Cardoso Pires (com Maria Velho da Costa, a minha dupla favorita da escrita portuguesa contemporânea).
Em 2011, o Mundo Lusófono perdeu Malangatana e, eu, o Afecto da Tia Lili. Vivos e seres pensantes que continuo a admirar, Mário Soares e Eduardo Lourenço, merecidíssimo Prémio Pessoa. Oh, Europa, se te dignasses a ouvi-los com atenção, eras, garanto-te, menos vazia de ideias – e dói-me a Grécia, como diria a ‘Mafalda’, logo a mim, que sei de cor que este canto à beira-mar encravado não é a Irlanda, a ilha azul e verde que (raios partam os tais dois que só numa privada conseguiram arranjar canudo) me vai continuar a faltar.
Este foi também o ano em que as ruas árabes inspiraram muitas outras e, das tendas que coloriram as praças, saiu gente que exigiu à ditadura, nuns casos, e à especulação financeira, noutros, que circulassem para londe da vida a que temos direito. Uma luta com desenvolvimentos diferentes e à qual convem continuar atento.
O meu ordenado andou (de novo) para trás, muito em jeito de treino para os que aí vêm. Portugal para quem não prevê emigrar, ao contrário do que fizeram os lusitanos com que, na Primavera, me cruzei (não sem alguma desilusão) no Luxemburgo. Actualizar o ‘cv’ pode ser uma boa sugestão para Janeiro, até porque aprendi outra forma digital de explorar informação. Melhor sugestão ainda, daí ter passado a promessa, é voltar a ler que foi vergonhoso 2011 no que ao verbo respeita (bem sei que deixei de andar de autocarro e sobrou ‘Público’ para o regresso, mas…). Já ao cinema, voltei a ir (e até bisei em dois casos), como mostra a lista a seguir.
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Filmes (a verde os que gostei mais)
“José e Pilar”, de Miguel Gonçalves Mendes (2x)
“O Discurso do Rei”, de Tom Hooper
“Os miúdos estão bem”, de Lisa Cholodenko
"Vais conhecer o homem dos teus sonhos”, de Woody Allen
“Potiche”, de François Ozon
“Os pinguins do Sr. Popper”, de Mark Waters
“Bem-vindo ao Sul”, de Luca Miniero
“Os Smurfs, de Raja Gosnell
“Meia-noite em Paris”, de Woody Allen (2x)
“As Serviçais”, de Tate Taylor
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Livros
“Marina”, de Carlos Ruiz Zafón
“O Grande Gatsby”, de Scott Fitzgerald
"Paredes Abertas ao Céu", de Inez Andrade Paes
“Ilha”, de Miguel Botelho – pela alegria que me deu esta edição, há tanto desejada e tão merecida pela escrita bonita do autor, elejo o livro do Miguel ‘inner’ a obra do (meu) ano. E nada de bocas, só porque o livro tem página 33…
“A Infanta Rebelde”, de Raquel Ochoa
“Simone de Beauvoir – Olhares Sobre a Mulher e o Feminino”, de Isabel Capeloa Gil e Manuel Cândido Pimentel
“Checoslováquia”, de Tiago Patrício
“Manauè e outros contos”, de Rui Cartaxana
“Ernest Hemingway” - Hans-Peter Rodenberg (prefácio de MST)
“John Maynard Keynes”, de Reinhard Blomert (prefácio de Nicolau Santos), biografia ainda em leitura, mas, pela conversa que ando a ter com o livrinho, acho que no final vai dar post.
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Discos:
Keith Jarret Trio: “Somewhere Before”, Charlie Haden e na bateria Paul Motian
“The Jazz Vocalists Sings: Swing, Music for Dancers",
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Sem sair da música, e last but not the least, este foi o ano em que a ‘Estação B’ me voltou a fazer companhia. Tinha-o anunciado em post de um ‘chuinga’ antigo, quando já o projecto estava em andamento, que no mais bonito dos oceanos tantos estavam a bater-se para que os hitparades com que crescemos voltassem a fazer-se ouvir. É realidade! – e, era impossível passar-me ao lado, que interessante é ver (a) LM (radio), transmitida a partir de Maputo: a força de uma sigla!!
Bonito, foi também voltar a ter um ringue nas mãos, aconteceu no piquenique do liceu das meninas, graças à perseverança da Lisete, a última (e a mais nova) das professoras de Inglês que tive. E naquela que se tornou a mesa do café do momento (o fb), sentaram-se, a fechar o ano, alguns dos amigos que faltava ter o privilégio de reencontrar. Deixem-me citar dois, o Adriano e a Vandinha, entre os tantos com quem vivi o tempo da Utopia.
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Teve de tudo, no que toca às emoções, o meu 2011. Mas algo me diz que 2012 vai precisar, sobretudo, de um duo de peso: Saúde & Criatividade, recebam-nos aos molhos, malta!! – oh, depois, no 'chuinga' que há-de vir, conto-vos a acção de formação que frequentei sobre o (des)acordo ortográfico…, como, profissionalmente, não tenho como lhe escapar, a minha professora da escola primária (com vista para a igreja da Polana) que enfie a régua no armário.
IO
. hoje há Festa na Bastilha...
. viver
. o que faz falta é agitar ...
. de quarta para quinta-fei...